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Amorim diz que Brasil está decepcionado com demora das atas na Venezuela

FolhaPress 02/08/2024 06:53

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Celso Amorim, assessor internacional do presidente Lula (PT), disse que o Brasil, assim como outros países, está decepcionado com a demora do CNE (Comitê Nacional Eleitoral) da Venezuela para divulgar as atas da contestada eleição realizada no último domingo (28).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, exibida na noite desta quinta-feira (1º) na RedeTV!, ele também defendeu uma postura cautelosa do Brasil em relação ao assunto. "A oposição coloca dúvidas, mas não consegue provar o contrário", disse sobre a suposta eleição de Nicolás Maduro.

Horas antes da exibição da entrevista, os Estados Unidos reconheceram a vitória do opositor Edmundo González Urrutia.

"Parabenizamos Edmundo González Urrutia por sua campanha bem-sucedida. Agora é o momento para os partidos venezuelanos iniciarem discussões sobre uma transição respeitosa e pacífica de acordo com a lei eleitoral venezuelana e os desejos do povo venezuelano", afirmou o secretário de Estado americano, Antony Blinken, em nota divulgada na noite de quinta.

Amorim afirmou que a possibilidade de isolamento da Venezuela preocupa o Brasil, assim como a hipótese de perseguição aos chavistas caso a oposição chegue ao poder.

SESC PICASSO

O embaixador se encontrou com Maduro em Caracas, na segunda-feira (29) e pediu que o CNE publique as atas de votação, um rito eleitoral local. O órgão, controlado pelo chavismo, supervisiona as eleições na Venezuela.

Maduro respondeu que divulgaria as atas em um prazo de dois a três dias, o que não aconteceu.

Amorim admite que é preciso reconhecer a posição do Centro Carter, o mais importante observador eleitoral independente no pleito da Venezuela. Na quarta-feira, o órgão afirmou que o processo eleitoral no país não pode ser considerado democrático.

"Não é um órgão manipulado", disse o assessor de Lula, citando situações complexas em que o Centro Carter atuou com neutralidade.

CONTADOR - BONUS

Na opinião dele, a eleição venezuela deveria ter ocorrido com mais preparo. Ele criticou a União Europeia, que iria enviar observadores eleitorais, mas manteve sanções econômicas contra a Venezuela e teve o convite cancelado para acompanhar o pleito. Para o embaixador, isso limitou a observação eleitoral.

Amorim falou também sobre as eleições americanas. Ele afirmou que a vice-presidente Kamala Harris vai precisar do apoio de Joe Biden para conquistar os eleitores sindicalistas, simpáticos ao presidente.

Apesar de considerá-la uma candidata "atraente" a uma parte dos eleitores americanos por ser negra, de origem asiática e uma intelectual, o embaixador acredita que a disputa com Donald Trump será dura.

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