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Alvo do Santos, Condé deve ficar no Vitória por 1ª Série A da carreira

FolhaPress 15/12/2023 18:33

SANTOS, SP (FOLHAPRESS) - Léo Condé, 45, jamais se esqueceu de 3 de maio de 2015. Finalista invicto com a Caldense no Campeonato Mineiro daquele ano, o jovem treinador viu escorrer pelos dedos um título estadual que parecia certo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

E foi amargo: com um gol de Jô, do Atlético-MG, em posição irregular, já nos minutos finais da decisão em Varginha. O lance e a data o marcaram para sempre.

"Estou no 17º clube da minha carreira, mas nunca esqueci [daquele dia]. A forma como perdemos me machucou muito", lembra à reportagem.

Pouco mais de oito anos depois daquele jogo, o treinador mineiro pôde, enfim, fazer o improvável acontecer.

Ele conduziu o Vitória ao inédito título da Série B de 2023 --o primeiro troféu nacional da história de 124 anos do clube, somente um ano após o acesso da Série C.

A conquista alçou o treinador a um dos nomes cotados pela nova diretoria do Santos após o fracasso nas negociações com Thiago Carpini, do Juventude. A investida esbarra na recente renovação de contrato, homologada entre ele e o clube baiano na última semana. O nome preferido do clube paulista é o de Fábio Carille.

"Foi um casamento que deu certo. Depois da Caldense, creio que é o trabalho que pude colocar minha identidade, fazer as pessoas voltarem a me olhar de forma diferente", analisa.

SESC PICASSO

Condé começou 2023 bem diferente da forma como terminou o ano anterior. Na ocasião, ficou três meses sem clube mesmo após campanha sólida com o Sampaio Corrêa, onde terminou a Série B na quinta colocação, a quatro pontos do acesso.

Só assumiu a equipe baiana em fevereiro em um cenário parecido com o do Santos, quase apocalíptico. O time acumulava fracassos em série.

O Vitória foi eliminado nas primeiras fases do Campeonato Baiano, da Copa do Nordeste e da Copa do Brasil. O treinador, por sua vez, não venceu nenhum dos sete primeiros jogos -somou três derrotas e quatro empates.

Ganhou um voto de confiança da diretoria e usou uma "intertemporada" forçada pela falta de competições para ajustar a equipe aos seus moldes. A tática deu certo.

"Cheguei em um momento muito turbulento, com troca de comando [de treinador] e sete jogos em apenas um mês. Tivemos quase 40 dias para nos prepararmos. Aí, sim, fui colocando minhas ideias e remodelei boa parte do time com a chegada de 12 atletas", conta.

O renovado Vitória estreou na Série B vencendo a Ponte Preta por 3 a 0 e embalou uma sequência de cinco triunfos consecutivos na competição.

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"Nos reapresentamos jogando bem, em pleno Barradão, e isso foi uma espécie de resgate de confiança. A torcida sentiu que poderia confiar, e as coisas começaram a funcionar", explica Condé.

Apesar do acesso no ano anterior, torcedores rubro-negros acumulavam sofrimento desde a queda da Série A, em 2018. Nos últimos cinco anos, o clube contratou 144 jogadores e teve 17 treinadores, além de três presidentes. Chegou a ficar ameaçado de queda para a Série D.

Condé, além do título inédito, ainda precisava contrariar uma estatística difícil. Desde 2008, com Vagner Mancini, a agremiação não iniciava e terminava uma competição nacional com o mesmo comandante.

"Quando o Vitória me procurou fui procurar o histórico recente e me assustei um pouco. Mas com essa diretoria, nos nove meses de trabalho, jamais houve um só mês de salários atrasados. Sinto um constante desejo de todos em melhorar a estrutura que parou um pouco no tempo", relata.

Após o elogiado trabalho na Caldense, em 2015, o treinador recebeu convites para virar auxiliar permanente de equipes como Atlético-MG e Cruzeiro. Apostou na carreira solo como treinador, mas jamais dirigiu uma equipe na elite.

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"Acho que no meu melhor momento faltou chance muito em razão do sucesso do Fábio Carille, no Corinthians, e a tendência dos clubes que apostavam nos auxiliares da casa como Jair Ventura, Thiago Larghi e o Eduardo Barroca", aponta.

Apesar da ausência em clubes da Série A, ele se orgulha de quatro títulos na carreira: duas edições do Campeonato Maranhense, em 2020 e 2022, do Alagoano, em 2017, e do Troféu do Interior, em 2021.

Conquistou ainda dois acessos, com o Botafogo-PB, em 2018, e com o Novorizontino, em 2021. A Série B, agora, o alça novamente entre os treinadores emergentes.

"Percebo técnicos que sempre trabalhavam bem, mas que insistiam em não serem tão bons por não terem títulos de expressão. As conquistas ajudam a te olharem diferente", explica.

Condé cumpriu no Vitória a missão que ficou incompleta na Caldense.

Curiosamente, no penúltimo jogo da competição, o da entrega da taça diante do Sport, com um Barradão lotado, ele reencontrou pela primeira vez com o árbitro assistente Guilherme Dias Camilo, responsável pelo erro que custou o título estadual.

"Ele me deu um abraço, pediu desculpas. Perdoamos, não havia VAR. E está tudo certo mesmo", conclui.

Agora, ele tem tudo para fazer o seu primeiro trabalho na elite nacional. Com o passado plenamente resolvido e em lua de mel com a nova torcida.

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