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Além das vaias: relação de Djoko com Austrália tem problemas desde pandemia

FolhaPress 19/01/2025 12:26

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - As vaias a Novak Djokovic após recusar participar da entrevista em quadra, momentos depois da vitória sobre o tcheco Jiri Lehecka, formam mais um capítulo da relação atribulada entre o tenista sérvio, o Australian Open e o país sede. Tudo começou na pandemia de Covid-19, quando o atleta chegou a ser deportado do país oceânico.

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Pouco depois da polêmica, Djokovic explicou o motivo pelo qual decidiu não realizar o bate-papo. Segundo o tenista, o boicote teve a ver com comentários feitos pelo jornalista Tony Jones.

"Alguns dias atrás, o famoso jornalista esportivo que trabalha para a emissora oficial aqui na Austrália zombou dos fãs sérvios e também fez comentários insultuosos e ofensivos contra mim. Desde então, ele escolheu não emitir nenhum pedido público de desculpas, nem o Canal 9", esclareceu.

"Como são emissoras oficiais, escolhi não dar entrevistas para o Canal 9. Não tenho nada contra Jim Courier ou o público australiano. É lamentável", continuou, Djokovic, que afirmou que seguirá o boicote até ouvir o pedido de desculpas.

Deportado em 2022

No início de 2022, a polêmica entre Djokovic e Austrália ganhou seu primeiro episódio. O tenista tentou entrar no país para disputar o Australian Open sem o comprovante da vacina contra a covid-19, exigida a todos os viajantes.

Djokovic entrou na Austrália no dia 5 de janeiro de 2022 sem se vacinar, apresentou uma isenção médica e alegou que testou positivo para covid-19, em 16 de dezembro.

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Ao desembarcar no aeroporto, ele foi parado pela polícia alfandegária por não apresentar todos os documentos necessários para justificar a entrada no território australiano.

Na época, o ministro da Imigração, Cidadania, Serviços a Imigrantes e Relações Multiculturais da Austrália, Alex Hawke, usou o seu poder pessoal para cancelar o visto de Djokovic.

A defesa do tenista, então, entrou com um recurso para que ele pudesse permanecer no país e disputar o Australian Open, mas perdeu na Justiça e foi deportado em 16 de janeiro.

"Fica contigo para o resto da vida"

No fim de 2022, Djokovic embarcou novamente à Austrália para a disputa do mesmo torneio e desabafou sobre o que viveu na última edição.

"Você não pode esquecer eventos assim. É uma daquelas coisas que grudam em você. Isso fica contigo para o resto da sua vida. É algo que eu nunca vivi antes e espero nunca mais viver. Mas é uma experiência valorosa para mim. Eu preciso seguir em frente. Voltar à Austrália mostra como eu me sinto em relação a esse país e como me sinto ao jogar aqui", disse Novak Djokovic.

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Já com o torneio em andamento em 2023, o diretor do Aberto da Austrália, Craig Tiley, diante da possibilidade de alguns espectadores demonstrarem sonoramente seu descontentamento contra o atual número 5 do mundo, lançou uma advertência: "Se perturbarem o prazer dos outros espectadores, serão expulsos", disse ao jornal Herald Sun.

Torcedores expulsos

Um grupo de três espectadores tirou a paciência de Novak Djokovic durante partida contra Enzo Couacaud, pela segunda rodada do Austrália Open em 2023. O sérvio foi ao árbitro para solicitar a retirada desses torcedores da Rod Laver Arena.

Djokovic se queixou do barulho dos torcedores ao longo do jogo. Em um momento do terceiro set, antes de o sérvio sacar, um espectador começou a falar e outro o mandou "calar a boca". O tenista agradeceu ao fã irritado com a distração.

No set seguinte, Djokovic perdeu a paciência e decidiu conversar com o árbitro.

"O cara está bêbado, fora de si. Desde o primeiro ponto ele está provocando. Ele não está aqui para assistir tênis, só quer entrar na minha mente. Então eu te pergunto (ao árbitro), o que você vai fazer sobre isso? Você o escutou pelo menos dez vezes, eu escutei cinquenta. O que vai fazer?", disse Novak Djokovic

"Não sou antivacina"

Em maio de 2023, Djokovic negou ser antivacina ao relembrar dos episódios que viveu na Austrália.

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"Eu sofri na minha pele, muitas pessoas apreciaram que eu permaneci constante. 95% do que foi escrito e dito na televisão sobre mim nos últimos três anos é completamente falso. Não sou antivacinação e nunca disse que sou, nem sou pró-vacina. O que sou é pró-escolha, defendo a liberdade de escolha. É um direito humano fundamental ser livre para decidir quais coisas injetar no corpo e quais não. No meu retorno da Austrália, expliquei isso na BBC, mas eles retiraram muitas frases, aquelas que não eram apropriadas. É por isso que nunca mais falei sobre essa história", disse.

"Envenenado"

No início de janeiro deste ano, Djokovic afirmou que foi "envenenado" com chumbo e mercúrio durante sua breve retenção na Austrália em 2022, antes de ser deportado do país.

"Tive alguns problemas de saúde. E me dei conta de que nesse hotel de retenção me deram comida que me envenenou", disse o tenista de 37 anos em uma longa entrevista à revista GQ publicada na quinta-feira (9).

"Descobri coisas quando voltei à Sérvia. Nunca disse isso a ninguém publicamente, mas descobri que tinha um nível muito alto de metais pesados. Tinha chumbo, um nível muito alto de chumbo e mercúrio", explicou.

Perguntado sobre se acreditava que sua comida havia sido contaminada, o sérvio respondeu: "É a única forma".

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