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Abel conquista improvável taça com ares de 'última dança' no Palmeiras

FolhaPress 07/12/2023 00:08

SANTOS, SP (FOLHAPRESS) - Abel Ferreira conquistou, na noite de quarta-feira (6), o nono título pelo Palmeiras. O troféu que o isolou como segundo técnico mais vitorioso da história do clube, atrás apenas de Oswaldo Brandão, com dez, carrega ares de derradeiro no relacionamento.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Diferentemente das outras ocasiões, quando não escondeu ter recebido ofertas e deixou clara a posição de obediência ao contrato, o português optou pelo silêncio --ao menos até a publicação deste texto.

O time chega ao 12º título do Campeonato Brasileiro, o segundo com Abel, mas sabe que tem o que temer. Nunca foi tão possível, desde a chegada ao clube em 30 de outubro de 2020, o fim do casamento que já dura 1.132 dias e parecia que seria eterno ao torcedor.

O Al Sadd, do Qatar, é o mais cotado entre os candidatos a pagar a multa de EUR 3 milhões (R$ 15 milhões). O contrato vai até o fim de 2024.

"O Abel tem sido extremamente racional desde a carreira como jogador. Alcançou muitas conquistas, conseguiu se firmar como um dos grandes. E acho, sinceramente, que depois destes anos vai sair. Temos pessoas próximas em nosso círculo de relacionamento, existe mesmo essa possibilidade, e sei que também deseja um projeto vitorioso na Europa", disse o ex-lateral português Marco Caneira à reportagem, companheiro de Abel no Sporting de 2008 a 2011.

Ao derrotar o Internacional por 3 a 0, em novembro, o treinador desabafou, afirmando estar de saco cheio de jogos seguidos e das longas viagens. No fim, deixou claro pela primeira vez que poderia sair: "Não quero isto para mim".

O Palmeiras assumiu naquele momento a liderança provisória do Campeonato Brasileiro pela primeira vez depois de mais de um ano --um hiato da última rodada de 2022, em 13 de novembro, até a 34ª de 2023, em 12 de novembro.

A fala foi vista como uma estratégia para desviar os olhares sobre a liderança considerada improvável, possível somente pelo derretimento do Botafogo.

SESC PICASSO

"Se olhar o calendário europeu, verá que ele também está absorvido por muitas competições. É um cansaço pelas viagens, verdade, mas principalmente pela consolidação que alcançou. Abel é inquieto por desafios", afirmou Caneira.

Abel começou o ano sem reforços mesmo após as perdas dos meio-campistas Gustavo Scarpa e Danilo, ambos para o Nottingham Forest. Coube a ele recuperar Gabriel Menino, autor de dois gols e herói na conquista da Supercopa do Brasil diante do Flamengo.

O treinador recuou Zé Rafael para uma função mais marcadora no meio e apostou em Menino como o seu novo volante criativo. Deu certo.

"Tenho certeza absoluta de que, quando deixei o Gabriel Menino fora do Mundial [em fevereiro de 2022], ele sofreu uma grande dor. Não foi uma dor física, mas que o ajudou a crescer", disse Abel.

Em abril deste ano, time e treinador comemoraram a conquista do Paulista, com uma virada diante do Água Santa: 4 a 0 no decisivo jogo após derrota por 2 a 1 na primeira partida.

Abel, mais uma vez, mexeu com o emocional de seus jogadores. "Ou revertemos ou passamos uma grande vergonha", disse, publicamente, após o revés no duelo de ida.

A volta por cima consolidada no Paulista caminhou junto com a polêmica em torno da não escalação de Endrick, prodígio já negociado com o Real Madrid.

Abel começou o ano com o então camisa 16 como titular, mas o sacou da equipe. Endrick precisou de 150 dias para marcar pela primeira vez no ano, jejum encerrado somente na primeira partida decisão com o Água Santa.

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"Deixa o garoto estar em paz", desabafou Abel.

Quando o Brasileiro começou, após dois títulos, tudo indicava águas tranquilas. Chegaram Richard Ríos, destaque do Guarani, e o atacante Artur, do Red Bull Bragantino, comprados por R$ 51 milhões.

O time, contudo, tinha trajetória apenas razoável no campeonato nacional, enquanto prosseguia avançando de fases na Copa Libertadores. Fez novamente a melhor campanha de toda a primeira fase, com 15 pontos dos 18 possíveis.

Nos mata-matas, deixou o Atlético Mineiro para trás, passou com facilidade pelo Deportivo Pereira, mas esbarrou no Boca Juniors, nos pênaltis, com duras críticas pela insistência em manter Endrick e Luis Guilherme no banco, enquanto insistia na dupla Mayke e Marcos Rocha pela direita.

"Eu durmo na cama que eu faço, não durmo na cama que fazem para mim. Eu perco e ganho com as minha ideias, não com as ideias dos outros, porque, se fosse fácil, todos os outros estariam sentados no meu lugar", respondeu o treinador.

Foram seis jogos consecutivos sem vitórias entre 21 de setembro, dias antes da primeira semifinal, e 19 de outubro. Quatro derrotas, dois empates e uma eliminação para Abel reagir.

Ele mudou a forma do time jogar, resgatou Endrick, engatou cinco vitórias consecutivas, entre delas uma goleada por 5 a 0 sobre o São Paulo, e pôs novamente o Palmeiras no páreo pelo título. O único tropeço foi a derrota para o Flamengo na 33ª rodada.

Ainda em silêncio sobre a permanência, Abel acumula marcas. O nono título pode ter sido o adeus perfeito.

"Ele sabe que precisará sair pelo que chamamos de porta grande. E como seria melhor isso do que ganhando um campeonato?", questionou Caneira.

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Procurado pela reportagem, o empresário Hugo Cajuda evitou especulações. "Neste momento, Abel só pensa e fala de vencer o campeonato", resumiu, dias antes da conquista.

Declarações marcantes de Abel em 2023

"As pessoas dizem que não gosto da imprensa, mas vou te dar a oportunidade de fazer outra pergunta. Se quiser fazer outra... Não quer? Pronto. O agente dele liga para vocês para perguntar individualmente em toda coletiva? Estou dizendo: não faça pergunta individual. Não há uma santa coletiva de imprensa em que não falem desse grande jogador. Todos temos que ser criativos. É a mesma pergunta toda coletiva de imprensa. Deixa o garoto estar em paz"

Abel sobre questionamentos pela não titularidade de Endrick

 "Isso é roubar, isso é roubar"

Abel para as câmeras de transmissão pouco antes do apito final da partida contra o Grêmio, pela 24ª rodada

 "Eu durmo na cama que eu faço, não durmo na cama que fazem para mim. Eu perco e ganho com as minha ideias, não com as ideias dos outros, porque, se fosse fácil, todos os outros estariam sentados no meu lugar"

Abel sobre decisões na escalação após a eliminação para o Boca Juniors

 "Eu não sou brasileiro, eu sou europeu. Desculpem dizer-vos isto. Eu não sou brasileiro, eu não fui criado na escola de futebol do Brasil. Eu sou europeu. Aprendi no PAOK a ser frio. E aqui é tudo muito emocional"

Abel sobre críticas recebidas pelo comportamento

 "Estou de saco cheio. Faltam quatro jogos, estou cansado de muitos jogos seguidos, muita coletiva de imprensa seguida, muitas viagens seguidas. É chegar ao CT às quatro horas da manhã, decidir se volto para casa ou se fico ali mesmo. Não é isso o que eu quero para mim"

Abel em desabafo sobre o calendário exaustivo de jogos no Brasil

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