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'A bomba cai e deitamos no chão': ouro no Rio, ucranianas relatam drama

FolhaPress 25/08/2025 11:16

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O conjunto ucraniano aguardava a nota, talvez, sem maiores pretensões. Até aquele momento, não era apontado como um dos favoritos, mas a pontuação de 28.650 colocou o país no topo para não mais sair — e deixou as brasileiras, donas da casa, com a prata na série mista do Mundial de ginástica rítmica.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Emocionadas, elas subiram ao pódio na Arena 1, no Rio de Janeiro, e muitas coisas passaram na cabeça delas. A técnica Ireesha Blohina lembrou das dificuldades diárias que um país em guerra enfrenta para que a vida possa seguir de alguma forma.

"Não estamos nas mesmas condições. Estamos longe das mesmas condições em relação a outros times. Levamos 60 horas para chegar aqui e, para nós, é incrivelmente difícil. Nunca sabemos se vamos sobreviver ao próximo segundo. Às vezes, estamos treinando, a bomba cai e nós vamos para o chão. É, realmente, difícil continuar treinando depois disso. Mas cada país está competindo e estamos fazendo o melhor que podemos."

A Ucrânia vive, desde 2022, um conflito com a Rússia. O ouro que elas colocaram no peito no Rio de Janeiro, para Blohina, representa mais que ser o melhor conjunto do mundo na série mista.

SESC PICASSO

A seleção, atualmente, treina em Kiev, capital da Ucrânia. neste domingo (24), o Ministério da Defesa da Rússia e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky informaram que 146 prisioneiros foram liberados de cada lado.

"Esta medalha significa, para nós, muito mais do que podemos imaginar. É mais do que ouro. Ela tem um peso de tanta dor e sofrimento, e esperamos que esse sofrimento termine, que esta guerra termine. Há tantas crianças que estão morrendo e que tinham sonhos, e nós desejamos que eles tivessem essa oportunidade de ir para um Campeonato Mundial, de ir para os Jogos Olímpicos", disse.

CONTADOR - BONUS

"Acho que nós inspiramos tantas crianças... Quando elas nos veem competindo, inspiramos elas a continuar sonhando. E isso é muito importante. Então, acho que o esporte nesta segunda-feira (25) está nos salvando, porque é muito difícil", completou.

A ginasta Oleksandra Yushchak celebrou o carinho que recebeu da torcida brasileira durante o Mundial, que interrompeu o drama que vivem em seu país. "Acordamos todos os dias para ir ao treinamento, mas muitas vezes não dormimos durante a noite. Temos de ir para o chão para salvar nossas vidas. É muito difícil! Mas aqui os brasileiros são os melhores fãs, são incríveis. Muita emoção, foi inesquecível".

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