4 em cada 10 municípios do RS foram atingidos por enxurradas bruscas em 4 anos

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Do total de 497 municípios do Rio Grande do Sul, 207 (ou 41,6%) registraram enxurradas ou inundações consideradas bruscas no período de quatro anos encerrado em 2020. Isso significa que 4 em cada 10 cidades gaúchas foram atingidas por fenômenos do tipo à época, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Enchentes voltaram a castigar o Rio Grande do Sul na virada de abril para maio de 2024, deixando um rastro de mortes e destruição. O contexto atual ganhou proporções históricas em razão do nível dos estragos. As fortes chuvas inundaram tanto Porto Alegre como os vales dos rios Caí e Taquari.

Esses dados do IBGE integram a Munic (Pesquisa de Informações Básicas Municipais) 2020, divulgada em 2021 —trata-se da versão mais recente da pesquisa com informações sobre ocorrências de desastres naturais.

Os números sinalizam que episódios como enxurradas não são novidade em estados como o Rio Grande do Sul. O que chama atenção em 2024 é a magnitude dos impactos.

No país, 1.712 municípios registraram enxurradas ou inundações bruscas no período de quatro anos até 2020, segundo a pesquisa do IBGE. Isso significa que 30,7% do total de 5.570 cidades brasileiras amargaram eventos do tipo à época. É um percentual inferior ao verificado no Rio Grande do Sul em igual intervalo (41,6%).

A porcentagem gaúcha foi a sexta maior entre os estados em 2020. O Rio de Janeiro reuniu o maior percentual de municípios com enxurradas ou inundações bruscas à época (64,1%), seguido por Espírito Santo (57,7%). Santa Catarina (55,3%), Mato Grosso do Sul (43%) e Pará (42,4%) vieram na sequência –todos acima do Rio Grande do Sul. Em termos proporcionais, o estado com menos municípios afetados foi o Amapá (6,3%).

De acordo com os critérios da pesquisa do IBGE, as enxurradas ou inundações bruscas são provocadas por chuvas intensas e concentradas. Isso faz os canais naturais de drenagem transbordarem de forma rápida e imprevisível, com danos materiais e humanos mais intensos do que nas enchentes ou inundações graduais.

Normalmente, os fenômenos bruscos ocorrem em bacias de médio ou pequeno portes e são intensificadas por relevos acentuados, aponta o levantamento.

Segundo a Munic 2020, 462 municípios do Sul registraram enxurradas ou inundações bruscas no período dos últimos quatro anos de análise, o equivalente a 38,8% do total na região (1.191). Trata-se do maior percentual de cidades afetadas entre as regiões do país.

Ao somar 207 municípios com enxurradas ou inundações bruscas na Munic 2020, o Rio Grande do Sul mostrou uma redução frente à edição anterior da pesquisa, de 2017. À época, o número de cidades afetadas no estado havia sido de 269 (mais da metade).

No país, a situação foi inversa. O número de cidades brasileiras atingidas por enxurradas ou inundações bruscas foi maior na Munic 2020 (1.712) do que na edição de 2017 (1.590).

A pesquisa do IBGE ainda traz, por exemplo, informações sobre instrumentos de gestão de riscos de desastres decorrentes de enchentes, enxurradas ou inundações (graduais ou bruscas). Entre essas medidas estão mapeamento de áreas de risco, programas habitacionais, mecanismos de controle e fiscalização, plano de contingência, projetos de engenharia, sistemas de alertas e cadastro de riscos.

Em 2020, 140 municípios gaúchos não contavam com nenhuma medida do tipo, o equivalente a 28,2% do total (497). No Brasil, 2.450 indicaram não ter essas ações, ou 44% do total (5.570). Não havia informações disponíveis para 109 cidades no país.

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