3 em cada 4 infectados no RS desenvolveram sintomas de Covid longa, diz estudo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um estudo brasileiro revelou a dimensão das sequelas pós-Covid a partir de uma amostra de infectados no Rio Grande do Sul.

De acordo com o artigo, divulgado nesta segunda-feira (4) na revista científica Cadernos de Saúde Pública, cerca de três em quatro (77,4%) pessoas que tiveram um diagnóstico confirmado para Covid desenvolveram sintomas com duração de três meses ou mais.

A pesquisa apontou ainda uma prevalência até 23% maior em pessoas que não receberam nenhuma dose da vacina e até 8% maior para aqueles que tomaram uma ou até duas doses em comparação aos indivíduos com esquema vacinal completo —que, à época do estudo, eram consideradas três doses ou mais.

Pessoas obesas, mulheres e portadores de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, também tiveram um risco maior de desenvolver sintomas tardios, em consonância com outras pesquisas desenvolvidas internacionalmente sobre a Covid longa.

O estudo foi conduzido por diversos pesquisadores de instituições nacionais de pesquisa, como a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e a UFPel (Universidade Federal de Pelotas).

O inquérito utilizou dados de 1.001 participantes, com 18 anos ou mais, do Rio Grande do Sul, com um resultado positivo para Sars-CoV-2 por exame de PCR ou antígeno rápido.

Iniciada ainda em 2020, durante a fase inicial da pandemia, as primeiras etapas do trabalho analisaram o quadro causado por infecção aguda (junho de 2020) e sequelas a médio prazo (dezembro do mesmo ano).

A nova etapa incluiu a chamada quarta “onda” de infecção ocorrida no início do inverno de 2022, quando as novas variantes da ômicron (BA.2 e BA.4, principalmente) provocaram aumento de casos de Covid no Brasil e no mundo.

“No início, estávamos focados exclusivamente em avaliar três coisas: atividade física, saúde mental e acesso aos serviços de saúde durante a pandemia. Só que fomos vendo que a pandemia tem efeitos indiretos, inclusive a Covid longa”, explica o primeiro autor do estudo e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFRGS, Natan Feter.

Os pesquisadores calcularam a chamada razão de prevalência (PR, na sigla em inglês) de desenvolver Covid longa, definida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como a persistência de sintomas até três meses após a infecção aguda pelo coronavírus e com a duração de pelo menos dois meses.

Na pesquisa, a prevalência de sintomas pós-Covid foi 19% maior em mulheres do que homens, assim como em pessoas obesas (9%) e com condições crônicas de saúde (13%).

Pessoas com uma renda mensal familiar igual ou inferior a um salário mínimo tiveram um risco elevado para desenvolver sintomas tardios da Covid. O tipo de quadro durante a infecção aguda, se foi grave, com necessidade de internação ou não também não alterou o risco de ter sintomas pós-Covid.

Dentre os principais sintomas registrados pelos participantes, estavam fadiga (56,8%), complicações neurológicas (43,9%), dor de cabeça (42,1%), queda de cabelo (33,5%) e perda de paladar e olfato (30,2%).

“Nosso estudo tinha um viés demográfico de renda e escolaridade mais alto. Então imagina a Covid longa, como uma condição crônica de saúde, com prevalência de 77% nesta população, se considerar pessoas com baixa escolaridade, menor renda, que são as que apresentam mais doenças crônicas”, pontua o pesquisador.

De acordo com o pesquisador, faltam ações mais direcionadas para falar e conscientizar sobre as sequelas pós-Covid na população. Como o estudo foi feito utilizando um grupo de pesquisa no Rio Grande do Sul, a extrapolação direta para a população brasileira não é encorajada, mas é possível criar a hipótese de que, se a prevalência elevada foi encontrada na região, deve ser ainda maior em outras áreas que tiveram uma maior carga da doença.

Considerando que a pandemia teve um elevado número de casos no país, ainda que com diagnósticos subnotificados, o estudo conclui que é preciso priorizar estratégias para reduzir a carga da Covid longa no país.

“A carga é uma definição da própria OMS que leva em consideração a prevalência e as consequências indiretas da doença. Então além da estimativa, as queixas de fadiga, perda cognitiva, falta de ar, tudo isso leva a uma queda de produtividade e maior busca por atendimento médico”, explica. “É importante que as pessoas também não normalizem sintomas pós-Covid.”

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