Opinião Pública
Pense bem antes de convocar uma reunião
Por Luiz Marins
O que os executivos de empresa mais fazem? Grande parte do seu tempo é gasto em reuniões.

As reuniões são, entre outras coisas, a pedra angular para a construção de times vencedores, que por sua vez é o maior fator de sucesso de uma empresa.

Mas a verdade é que as reuniões, nem sempre conseguem atingir seus objetivos. Um estudo recente feito por uma consultoria americana aponta que os gerentes passam mais de três quartos do tempo em reuniões. O estudo ainda apontou que apenas 12% dos gerentes acham que suas reuniões são produtivas. Nas empresas de alto desempenho, a avaliação da produtividade das reuniões subiu para 25% e nas empresas pouco eficientes essa produtividade caiu para apenas 2%.

Apesar de toda a tecnologia de informação, (TI) todos nós vamos para mais e mais reuniões, desabafa um colaborador de uma grande empresa.

Coordenar bem uma reunião é realmente uma arte, e um número crescente de empresas estão treinando seus executivos em como fazer reuniões eficazes.

Muitas “reuniões” acontecem no corredor ou em torno da máquina de café e essas são provavelmente as mais eficazes porque os participantes tendem a ser mais espontâneos, diretos e rápidos. Muitas empresas têm feito reuniões “em pé” para aumentar o foco e a produtividade. Vale experimentar.

Reuniões maiores são geralmente mais problemáticas. Estudos mostram que um dos maiores problemas é a falta de cuidado pré-reunião. Muitas vezes não se planeja, com o cuidado que se deveria, a agenda, o local, as pessoas convidadas e os resultados esperados. Sem esses cuidados na preparação ela acontece dando margem a ideias sem importância, divagações, falta de foco ou indivíduos entediados olhando para o relógio ou consultando seus celulares.

Normalmente há dois tipos de reunião: (1) para compartilhar informações, (2) para resolver problemas. Para o primeiro tipo, alguns especialistas sugerem que se peça a todos que repitam, no final, o que eles entenderam e o que foi concluído, para que o coordenador corrija desinformações ou conclusões equivocadas. Já para a resolução de problemas, o objetivo não deve ser apenas um brainstorming, mas prestar atenção para que as soluções sejam realmente colocadas em prática.

O que torna as reuniões especialmente importantes e indispensáveis para as empresas é que nelas é que as crenças e valores da empresa são transmitidos e times vencedores são formados e moldados. David Bradford, professor da Stanford Business School especializado em estudar equipes, argumenta que muitas vezes, as empresas desperdiçam enorme quantidade de tempo em reuniões: em uma empresa, a equipe executiva passou três reuniões decidindo o design dos cartões de visita, conta ele.

Assim, a melhor forma para se obter uma boa decisão de uma reunião formal é pensar seriamente em como o tema a ser discutido será proposto ao grupo. Assim, se você já decidiu fazer alguma coisa e quer a colaboração dos participantes em como fazer acontecer, não pergunte se você deveria ou não fazer. Em vez disso, peça a ajuda de seus colegas dizendo: Queremos fazer isso ou aquilo: como chegamos lá?”

Pense nisso. Sucesso!
Luiz Marins
Antropólogo e consultor. Com 26 livros publicados, seus programas de televisão estão entre os líderes de audiência em sua categoria. Escreve sobre gestão empresarial e motivação pela razão e não pela emoção para vencer os desafios da competitividade.
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